Dire Straits e Mark Knopfler

09/02/2012

Como é bom relembrar bons e velhos tempos.
Eu já ouvi muito Dire Straits. Era minha banda favorita quando tinha 14 anos. Love Over Gold e Making Movies eram os trabalhos que eu mais gostava, principalmente pelas músicas mais extensas, com diversos climas. Esses dois trabalhos não eram (e não são) os que faziam mais sucesso, Dire Straits sempre foi sinonimo de Sultans of Swing e Brother in Arms.
Há aproximadamente 20 anos atrás, ainda morando com meus pais, eu vi o comercial deste CD na televisão, fui até uma loja de discos e o comprei. Esse ritual que amo fazer até hoje, apesar de cada vez mais estar comprando pela internet.
On Every Street também não é o mais reconhecido trabalho da banda. Foi o último disco de estúdio deles e vendeu pouco. Apenas os que conhecem bem as características do Dire Straits e Mark Knopfler podem curtir esse trabalho em sua totalidade.
Este album me acompanhou durante anos, portanto não gosto muito que o critiquem. Eu fazia duetos com meu irmão (guitarra + teclado) e tocavamos alguns riffs desse CD.
Uma característica que me chamou muito a atenção na época foi o uso do steel guitar, uma guitarra elétrica deitada tocada com slide (aquele caninho de metal) por um músico sentado, adicionando um tempero country nas composições.
Alguns anos depois, morando sozinho, já muito bem equipado, retiro esse CD da estante, ao abrí-lo e ver a cor alaranjada da arte impressa no disco, muitas lembranças, momentos e flashes de anos atrás me vem a cabeça.
Ao colocar no CD Player Rega, ligado ao meu belo valvulado, descubro uma gravação de qualidade ali escondida, a supresa que este trabalho estava guardando para mim, para um futuro não muito distante, para que eu não o esquecesse jamais.

Alguns anos ainda para frente, já casado, com filho e, ainda mais equipado, passeando numa loja de CDs encontro para vender este CD solo do Mark Knopfler. Feito não só por ele, mas também por alguns de seus colegas da época anterior.
Quando ouvi esse trabalho fiquei muito feliz. É uma gravação recente, de um músico que fez parte de muitos momentos passados, todas as características de Mark Knopfler e também do legado On Every Street ainda estão lá. Se no passado tinha steel guitar com tempero country, agora temos violino com pitadas folk.

E a história se repete.
Como é bom relembrar bons e velhos tempos e como é melhor ainda viver belos e novos dias.

abraços
Leonardo

Marcus Miller – Marcus (Concord Jazz)

19/11/2011

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Certa vez, a bons anos atrás, em um dos encontros com meus colegas do áudio, estava conversando com meu amigo David Kon, um grande projetista de áudio, sobre alto falantes para graves (também conhecidos como subwoofers). Na ocasião eu disse para ele que eu queria uma combinação amplificador/falante que resultasse em graves profundos, precisos e rápidos. Ele olhou para mim e disse: todo mundo quer graves profundos, precisos e rápidos.
Na verdade, o que eu queria era simples: resposta em freqüência com baixo tempo de reverberação em baixas frequências, só que eu só fui descobrir isso algum tempo depois.
Na época, eu acreditava que o segredo estava no falante e no amplificador, porém eles são apenas uma parte (talvez uma pequena parte para aqueles que sempre usam boa eletrônica e bons falantes).
Toda sala comum tem um tempo de reverberação de graves consideravelmente maior que médios e agudos. O que acontece é que todo o grave (principalmente baixo acústico) é carregado com muitas harmônicas em médios e agudos e esses são os elementos que definem sua posição na imagem estéreo. Acabamos aceitando os graves como bons. Não porque eles são bons, mas sim porque suas componentes medias e agudas causam uma sensação de baixo tempo de reverberação de baixas freqüências. Na verdade, neste caso, temos um grave embolado disfarçado de definido.
Não adianta termos o melhor amplificador do mundo nem o melhor falante do mundo se o tempo que uma nota Si (aprox. 60 hz) é de 0,5 segundo. Qualquer fraseado em semi-colcheia será medíocre porém suas harmônicas superiores irão enganar o ouvinte que irá realmente acreditar que tem um bom grave, afinal de contas pagou caro pelo equipamento.

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Este trabalho do Marcus Miller reflete bem o que expliquei acima. Ele é um multi-instrumentista bem conceituado, requisitado por muitos outros músicos e que tem poucos trabalhos próprios.
Eles mistura diversos estilos, jazz, pop, hip hop, musicas cantadas, apenas instrumental, etc.
É um músico que toca com energia e bastante slap’n tap, gerando um som grave com boa gama de harmônicos superiores.
O resultado de se ouvir esse trabalho em salas comuns é satisfatório, mas escutar em salas preparadas para graves é muito mais confortável pois podemos perceber claramente o encadeamento da cada nota tocada por Marcus Miller.

Abraços
Leonardo

Scott Kinsey – Kinesthetics (Abstract Logix)

07/11/2011

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Scott Kinsey é um tecladista/pianista muito técnico e criativo. Ele não apareceu aqui no blog por acaso. Já publiquei aqui sobre o baixista Gary Willis e a relação entre os dois é que ambos fazem parte do Tribal Tech, um conjunto de jazz contemporâneo que eu gosto muito.
Sempre gostei muito do Tribal Tech por ser uma banda de jazz que explora ritmos, harmonias e melodias fora do usual. É um prato cheio para pessoas que como eu sempre procuram música de qualidade que seja original e, é claro, com boa técnica de gravação.

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O guitarrista do Tribal Tech, Scott Henderson, já fez um show aqui no Brasil, o teatro do SESI. Na ocasião estive presente com minha esposa. Para ser sincero não gostei muito do evento, achei as musicas apresentadas muito pesadas, bem diferente do que eu estava habituado a ouvir.
Ao escutar este CD do Scott Kinsey e já conhecendo o trabalho do baixista Gary Willis, cheguei a conclusão que estes dois músicos são os grandes nomes por trás da genialidade do Tribal Tech.
É interessante ouvir esse trabalho conhecendo o significado de “kinesthetics”: a estética do movimento. Scott procurou usar temas pré definidos e muita improvisação. Em cima disso, colocou uma riqueza enorme de texturas, percussão, harmonias e melodias incomuns, formando uma fluidez com muita informação estética.
Além de ser extremamente criativo, ele é muito bom produtor e conhece muito bem a técnica de gravação, mostrando que sabe o que significa alta fidelidade.
É um trabalho técnico e ao mesmo tempo artístico, criando muito movimento, com extrema beleza.

Abraços
Leonardo

Anthony Wilson Nonet – Power of Nine (Groove Note)

04/07/2011

Eu decidi ter todos os CDs desse musico sofisticado depois de ouvir o primeiro CD que apresentei aqui tempos atrás. Esse já é o terceiro trabalho do Anthony Wilson que aparece por aqui.
Quando comprei esse album, estava achando que receberia mais um trabalho de sua formação Anthony Wilson Trio, mas nem reparei que esta se chama Anthony Wilson Nonet, ou seja, tem 9 integrantes (apesar de ter contato 10 músicos, excluindo a participação especial da Diana Krall) e o título Power of Nine (A força dos nove).

A diferença marcante desse trabalho para os outros apresentados aqui é a presença dos metais: Sax Barítono, Trombone, Sax Tenor, Sax Alto, Sax Soprando e Trompete. Eles formam uma cama muito macia, apesar de parecer ao contrário, e os solos individuais são muito sedosos, especialmente do sax barítono.
Quando comecei a ouvir, estranhei o estilo empregado, me pareceu um trabalho com músicas mais previsíveis. Engano meu. Conforme as faixas foram tocando (eu sempre ouço o CD inteiro, música após música, ouvindo cada detalhe) eu fui percebendo que é um disco muito intrigante: Rico, complexo, com toques melancólicos, caótico, progressivo e dissonante. Bastante diferente dos outros trabalhos, que são mais melódicos. Não é um trabalho fácil de se ouvir, porém é um trabalho de extrema genialidade e criatividade.
A qualidade da gravação é igualmente genial, de alto padrão da Groove Note. Cada metal no seu lugar, permitindo perceber a distância que separa cada instrumento.

Da mesma forma que contei um músico a mais, contei uma música a mais, a faixa 12 (Bird in a Basket), excelente por sinal, provavelmente um bonus, está gravada porém não está listada no encarte. Por fim, a música 11, Power of Nine, onde podemos sentir de forma bem concreta a força…. dos nove.

abraços
Leonardo

Di Meola plays Piazzolla (Bluemoon Records)

25/04/2011

Quando estive em Buenos Aires em 2010, perto do Hotel havia uma avenida com varias lojas de CDs. Gastei um dia inteiro garimpando coisas boas nessas lojas e o álbum que estou apresentando aqui foi um deles. A princípio não me interessei muito por ele pois estava um pouco mais caro que os outros, mas o nome Al Di Meola e o selo Bluemoon me fizeram comprá-lo, pois já tenho alguns títulos dessa gravadora e sempre são muito bem gravados.
Muitos países tem seus ícones musicais internacionais. O Brasil tem Tom Jobim e Villa Lobos, a Argentina tem Astor Piazzolla (entre outros, em ambos os países, claro). Ouvi esse CD recentemente devido a um processo que estabeleci de ouvir toda minha coleção de CDs por ordem alfabética. Gosto de fazer isso porque acabamos descobrindo coisas boas que estavam paradas a muito tempo.

É um trabalho muito fácil de se ouvir. A combinação de violão, acordeon e violão clássico foi feita de forma bastante suave e eu quis até aumentar o volume. Apesar de ser basicamente um gravação de poucos instrumentos, com pouca percussão em algumas músicas, quando comecei a ouvir achei que iria ouvir duas ou três músicas, pulando algumas faixas para não ficar sonolento. Que nada, ouvi do primeiro ao último segundo completamente compenetrado na riqueza musical de Astor Piazzolla interpretada pelo Al Di Meola.

Gostei muito das músicas 4, 7 e 9, sendo as duas últimas com uma qualidade de gravação diferenciada e a faixa 4 (Tango Suite part II) mostrando a característica contemporânea fusionista do Al Di Meola. Na faixa 9 (Milonga Del Angel), ele toca um violão solo mostrando porque deixou a guitarra elétrica de lado durante um bom tempo.

abraços
Leonardo

Ola Pessoal – Twitter

22/02/2011

Meu blog anda meio parado. Ultimamente estou tendo pouco tempo para escrever sobre meus discos.
Mesmo assim, estou tentando sempre escrever em meu twitter: @Leo_MP

abs!
Leonardo

David Benoit – Here’s to you, Charlie Brown (GRP)

13/08/2010

Faz muito tempo, eu ainda via desenho na TV e gostava muito do Snoopy, principalmente do Schroeder tocando Beethoven em seu pianinho. Sempre achei um desenho bastante diferente, principalmente pelas trilhas sonoras, um jazz muito bem tocado.
Algum tempo atrás, enquanto eu procurava CDs para comprar no site da CD Universe, estava vendo os títulos do pianista David Benoit e apareceram alguns relacionados a esse tema. Um deles é o que vos escrevo agora, Here’s to You, Charlie Brown.
É trabalho basicamente com as músicas de Vince Guaraldi, que foram escritas exclusivamente para os shows do Snoopy, todas em estilo Jazz. David Benoit também foi responsável em criar trilhas sonoras para o desenho, por isso tanta influência.

As músicas são maravilhosamente tocadas pelo músicos de alto gabarito, é um CD para se ouvir inteiro.
Eu confesso aqui alguns pontos que me chamaram atenção nesse CD sem mesmo tê-lo ouvido: É um trabalho do pianista David Benoit, é da GRP, é produzido por Tommy LiPuma e é gravado e mixado por Bill Schnee.
Esses parâmetros já são suficientes para mim (e para alguns amigos!). Eu fiquei torcendo para que ele tivesse sido masterizado pelo Doug Sax (dono do Mastering Lab). Por que? Primeiro porque se é GRP, produzido pelo LiPuma e gravado pelo Bill Schnee, a probabilidade de ter o Doug Sax no meio é muito alta. E outro motivo: Se o time estiver completo, a probabilidade de ser uma gravação impecável e maravilhosa é também muito alta!
Quando eu abri o encarte, pude ler Mastered by Doug Sax at Mastering Lab. Exatamente como previsto.
O mais interessante aconteceu quando coloquei o CD para tocar pela primeira vez. A primeira faixa, Linus and Lucy, começa com a versão original da música em fita, com uma qualidade de gravação ruim. Isso assusta bastante, cheguei a pensar que o CD inteiro seria daquele jeito, o que iria contrariar todas as minha estatísticas citadas acima. Depois de alguns instantes, um piano começa a aparecer na direita, ameaçando entrar junto. Enfim, após uma pequena parada, a banda entra com tudo, mostrando o que o Bill Schnee e o Doug Sax são capazes. Eu quase chorei na hora. Tive que apertar o pause para me conter porque parei de prestar atenção na música de tão extasiado. É lógico que foi um truque deles para pegar nós sortudos que escutam música em aparelhos de alta qualidade.
Já li reviews ditos oficiais desse CD que criticaram o uso da fita original na primeira faixa, com certeza esse pessoal tem uma limitação por não terem conseguido interpretar a mensagem, afinal, não são só os músicos que fazem a arte, eu sempre falo isso.
Será que depois de tudo o que eu escrevi, você vai conseguir não ter esse trabalho em sua coleção?

abraços
Leonardo

The Gene Harris/Scott Hamilton Quintet – At Last (Concord)

11/07/2010

O que acontece quando se juntam excelentes músicos, um selo memorável, uma gravação perfeita e um momento único? Acontece uma obra prima do Jazz: The Gene Harris/Scott Hamilton Quintet, At Last.
Scott Hamilton e Gene Harris são os principais nomes dessa gravação e na faixa título, At Last, tocam um dueto. O sax tenor de Scott sempre muito sedoso com aquele potentes ataques extremamente agradáveis nas frequências mais baixas. Ao piano, Gene mostra seu estilo jazz acessível com um toque blues e soul. Nas demais faixas, contam com um tempero de Herb Hellis (guitarra), com um timbre sem distorção e extremamente doce que me agradou muito, a bateria de Harold Jones e, como bônus, o contra baixo de Ray Brown, sempre muito presente na música.
É mais uma gravação memorável da Concord. Gravado em 1990, já na era do CD, é tecnicamente perfeita. Os graves do contra-baixo, os médios/graves do piano e sax tenor e os agudos da bateria e piano excitam todas frequências do seu reprodutor musical. Sou um fã de carteirinha da Concord Records, principalmente as gravações dessa época.
Se você gosta de jazz, principalmente aquele tocado por grandes músicos em grandes momentos, gravados por gente que entende do assunto, esse é um exemplar obrigatório em qualquer coleção.

abraços
Leonardo

John Pizzarelli – Knowing You (Telarc)

14/06/2010

Eu sempre gostei do John Pizzarelli pelas seguintes razões: Ele toca muito guitarra, domina o scat singing (canta o solo da guitarra ao mesmo tempo), sempre seleciona bem as músicas e tem um pianista de primeira linha: Ray Kennedy.
Algum tempo atrás, após comprar o meu último CD dele, fiquei certo que tinha encerrado com ele e que não precisaria ter mais trabalhos dele em minha coleção.
O CD em questão aqui devo ter ouvido apenas uma vez, faz alguns anos e ficou parado por um bom tempo.
Nesse meio tempo, troquei de sistema de som umas 2 vezes e nunca coloquei ele novamente para tocar.
Semana passada, puxei ele da estante, coloquei para tocar e fiquei completamente paralisado com tamanha qualidade técnica de gravação. É um DSD-CD de cair o queixo.
Coloque esse CD para tocar em seu som, se não achar a qualidade excelente, é porque há algo de errado com seus equipamentos ou sala.
Ele toca músicas extremamente agradáveis, desde estilo romântico, até músicas com seu swing e humor característico. Toca standards conhecidos (e desconhecidos também). Tem participação de Cesar Camargo Mariano.
Após ouví-lo, 2 vezes seguidas, decidi que este não será meu último CD dele e já estou planejando a aquisição de outros, de preferência Telarc DSD.

Veja também: John Pizzarelli – PS Mr. Cole – Rca Victor

abraços
Leonardo

Earl “Fatha” Hines – Plays Hits He Missed (M&K Records)

05/06/2010

Nós, viciados em música e colecionadores de discos, amamos garimpar por aí a procura de grandes gravações. Algumas vezes encontramos um disco que é muito mais que uma grande gravação e este é o caso do trabalho que apresento a vocês agora.
Earl Hines foi um brilhante pianista americano que começou sua carreira na década de 20. Tinha uma mão esquerda considerada potente no piano, dando bastante energia para as músicas. É um pianista praticamente desconhecido hoje e espero estar contribuindo para mantê-lo vivo através deste texto.
Quando você escuta as músicas gravadas nesse disco, você sente toda a energia que Earl era capaz ao piano. Na faixa solo “Humoresque”, é possível ouvi-lo tocar como se estivesse se divertindo (e isso faz sentido já que é uma gravação em tempo real, que vou comentar mais para frente). A faixa “Birdland” é um standard clássico de Joe Zawinul, conhecido pelos fãs de Weather Report e Jaco Pastorius. Ela começa com uma Tuba perfeitamente captada no centro dos falantes, seguida pela bateria de Bill Douglas e enfim o piano de Earl Hines.
Esse é um típico álbum que eu não fico satisfeito em ter apenas uma versão. A foto acima representa a versão original da capa do LP da M&K Realtime Records. Eu tinha esse LP alguns anos atrás. Eu estava comprando LPs num sebo aqui em São Paulo e encontrei um disco com um cara engraçado sorrindo pra mim. Eu estava quase ignorando ele quando eu li direct to disc, praticamente significando sim, você vai me levar.
Eu não me preocupei muito com a qualidade musical dele (afinal era o meu primeiro contato com esse músico) porque eu sabia que havia (e tem) alta qualidade ali dentro. Quando eu coloquei para tocar no meu Thorens com cápsula ortofon MC, eu fiquei completamente extasiado com a qualidade das músicas e também com a qualidade da gravação.
Direct To Disc, também conhecido como Direct Cut ou Corte Direto, é uma técnica de gravação (muito pouco usada hoje, infelizmente) geralmente feita em estúdios, que usa o sinal direto ao vivo para cortar o disco master do LP. É um sinal totalmente natural, sem perdas, sem processamento e com extrema qualidade de informação.
O próprio Earl Hines não entendeu nada o que os malucos da M&K queriam. Ele ficou confuso com essa técnica de gravação. Não entendeu por que tinha que tocar cada lado do LP sem nenhuma pausa, como se estivesse em um show ao vivo (sendo que em um show ao vivo ele pode tomar um ar entre uma música e outra, aqui não). Esse é um aspecto interessante nesse trabalho. Você realmente consegue sentir a vivacidade na gravação musical.
Depois que eu vendi o meu toca-discos Thorens, eu também vendi esse LP para um amigo colecionador. Eu comecei então a procurar por versões em CD e, finalmente achei uma compilação de 2 discos da M&K: For Duke (Bill Berry ) e Eral “Fatha” Hines:

É um CD muito interessante, remasterização do LP original. Foi feita pelo próprio Ken Kreisel (um dos donos da extinta M&K). É uma versão muito “clean” e importante pois une dois grandes LPs e um CD.
Entretanto, em minha opinião, esse não é a melhor versão em CD. Existe outra, lançada pela Drive Archive:

O primeiro CD apresentado (gold) é muito bom e tem um som incrível, mas parece que um filtro foi aplicado para minimizar ruídos do disco master original, na tentativa de se fazer um som mais limpo possível. Para mim, também removeu um pouco de mágica e alguns dos sabores analógicos presentes na mídia original, que estão muito mais presentes neste último (Drive Archive), que é o meu favorito.
Não se preocupe. Essas diferenças entre os dois CDs são sutis e em ambos você terá uma gravação state of the art de um grande músico tocando grandes músicas.

Abraços
Leonardo


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